Antevendo uma Nação - 7 capitulo
Pedro, o Grande, na
Inglaterra.
Pintura de 1698
Sir Godfrey Kneller, 1º Baronet
Pintor da Corte inglesa.
7 ° capitulo
Antevendo uma Nação
Vamos a uma
realidade que considero muito importante tendo como exemplo meu país natal, o
Brasil.
Em 1808, Dona
Maria I aportou no Brasil, estava louca e seu filho Dom João Maria era o Príncipe
Regente desde 1792.
Ao chegar no Rio
de Janeiro, agora capital do Império Transcontinental da Casa de Bragança,
organizou varias instituições governamentais para transformar o Brasil numa
Nação que daria suporte a esse magnifico Império.
Contudo devido a
seu tamanho continental - o total do
território brasileiro 8 515 767,049 km², o quinto em dimensões e que é o país mais
extenso do Hemisfério Sul e da América Latina, além de ser o país lusófono mais
extenso do mundo, aproximadamente 96 vezes superior à área ocupada por Portugal
– muitas dessas Instituições Governamentais levaram décadas para se
desenvolveram a contento em outros pontos da Nação Brasileira.
Além do que pela ordem
econômica, pois a força de trabalho era o braço escravo, uma força de trabalho
com custo operacional baixo, o Brasil continuou a ser um país agrícola por
excelência.
A primeira das
Instituições fundadas por Dom João Maria foi o Banco do Brasil, por Alvará Régio
de 12 de outubro de 1808, para financiar a criação de indústrias manufatureiras
no Brasil, quando incluiu, para facilitar o comércio, isenções de impostos para
importação de matérias-primas e de exportação de produtos industrializados.
A última
instituição a ser organizada foi a Escola Real de Ciências, Artes e Ofícios em 12
de agosto de 1816, um estabelecimento onde as futuras gerações aprenderiam a
especialização necessária para trabalhar na nascente economia nacional.
Dom João queria
que as manufaturas se instalassem no Brasil, pois, a Europa era o cenário das
Guerras Napoleônicas.
Visionário, e bem
assessorado por Rodrigo Domingos de Sousa Coutinho Teixeira de Andrade Barbosa,
primeiro conde de Linhares, anteviu que o futuro dependia da industrialização.
Os pés de uma
Nação têm que estar plantados no campo, e no parque industrial desse país, em
equilibro caso contrário não haverá progresso econômico-social e por via de
consequência político.
Esse conceito é a
base de uma politica desenvolvimentista.
Em 1917, no Estado
de São Paulo, um estado federado que
possuía grandes fazendas do principal produto de exportação brasileira, o café,
nasce um parque industrial sob o comando de um emigrante italiano, Francesco
Matarazzo, que funda a Metalúrgica Matarazzo, embrião do que viria a ser as Indústrias
Reunidas Fábricas Matarazzo (IRFM), o maior grupo empresarial da América
Latina, chegando a englobar em torno de 350 empresas de diversos ramos, como
têxtil, químico, comercial, bancário e alimentício e empregou cerca de 6% da
população da Grande São Paulo e possuía a quarta maior renda bruta do Brasil.
Todavia, em um
país de tamanho continental o parque industrial paulista não bastava, nem basta,
e em 9 de abril de 1941, sob a presidência de Getúlio Vargas, foi criada a Companhia
Siderúrgica Nacional (CSN), um fruto de acordos diplomáticos para que os
Aliados da II Guerra Mundial pudessem montar a Base Aérea de Parnamirim, no Estado
do Rio Grande do Norte, apelidado de “ o Trampolim da Vitória, assim chamado
por ser ponto obrigatório de passagem das aeronaves aliadas que se destinavam
ao Teatro de Operações da África”.
Na eleição
presidencial brasileira de 1955 foi eleito o médico Juscelino Kubitschek de
Oliveira, como o 21.º Presidente da República, cujo mandato iniciou em 31 de
janeiro de 1956 e foi até 31 de janeiro de 1961.
O presidente
Juscelino lançou o Plano de Metas, um importante programa de industrialização e
modernização que rompia com o modelo agrário-exportador e com a oligarquia
latifundiária instalada desde dos tempos do Brasil-colônia, iniciado em 1534.
E assim o Brasil
entrou na Era Industrial, entretanto como a grande maioria das industrias foram
estabelecidas no eixo São Paulo- Minas Gerais - Rio de Janeiro, o Brasil ainda
ficou dependente do Agronegócio.
Faço notar que só
em 2017 o Agronegócio contribuí com 23,5 por cento do Produto Interno Bruto
(PIB) do país.
Da fundação do
Banco do Brasil em 1808 até o Plano de Metas de Juscelino Kubitschek em 1956 passaram
148 anos, portanto um século e quarenta e oito anos, quase um século e meio, para
que o Brasil tivesse condições de montar a outra “perna” e com isso um dos pés
da Nação estivesse plantado no parque industrial, e
assim buscar o progresso econômico-social e por via de consequência político.
O pior é que hoje
o governo não apresenta nenhuma política desenvolvimentista como o governo Putin
apresenta para a Federação Russa.
Mas, porque escrevi
esse capitulo em um livro que fala da Grande Rússia?
Porque Pedro, o
Grande, compreendeu que sem uma indústria naval, estaleiros para a construção
de navios, a Rússia não podia alcançar o desenvolvimento necessário não só comercial-militar,
mas, também, anteviu que para se transformar em uma Nação realmente independente,
realmente soberana, seu Império tinha que ter os pés plantados um no campo,
outro na indústria e manufaturas e foi a luta.
“Comida e
Trabalho” poderia ser o slogan do governo de Pedro, o Grande.
E é dele que falaremos
nos próximos capítulos.

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