A Grande Embaixada Великое посольство capitulo 10


 A conversa de Pedro na Holanda.
Artista holandês desconhecido
de 1690
Domínio publico

Pedro partiu da Letônia por mar saindo pelo porto de Libau, hoje Liepāja, na costa do mar Báltico, em direção a Konigsberg, primeira capital do Ducado da Prússia, e a comitiva da embaixada foi por terra.
Pedro chegou muito antes e, no dia 7 de maio, ficou em uma casa particular no Kneiphof, uma das três cidades que compunham a cidade de Königsberg, sendo as outras Altstadt e Löbenicht.
“O primeiro encontro secreto entre Pedro e Frederico III ocorreu no dia 9 de maio”.
Onze dias depois a comitiva da embaixada chegou a cidade e foi recebida com grande pompa e circunstância.
Essa visita de Pedro rendeu muito para Frederick III, Príncipe- Eleitor de Brandemburgo, da Dinastia Hohenzollern – que reinaram na Germânia até 1918 – que acabou rei da Prússia em 170i.
Pedro visitou a Fortaleza de Friedrichsburg e essa serviu de modelo para os fortes russo, principalmente o Forte Kronshlot, na ilha de Kotlin, cujo desenho foi feito pelo próprio Pedro, um forte para defesa de São Petesburgo.
Em Pillau, Pedro estudou artilharia com o tenente-coronel prussiano Steinner von Sternfeld, que lhe concedeu um certificado escrito de soldado artilheiro.
Nota:
Königsberg foi fundada em 1255 pelos Cavaleiros Teutónicos e hoje é a cidade de Kaliningrado, capital da província russa homônima da Federação Russa, enclave russo entre a Polónia e a Lituânia, à beira do Mar Báltico.
Pillau é hoje Baltiysk, uma cidade na região de Kaliningrado da Federação Russa
Foi assinado um Tratado estabelecendo o direito da Rússia de transportar os produtos de seu interesse para a Europa e vice-versa através do território do Eleitorado, e dos produtos do Brandemburgo passar pelo território Russo em direção a China e Pérsia.   
Acordos militares só verbais.
A Holanda a verdadeira Meca de Pedro.
Meca aqui tem o sentido de local central que concentra os interesses, as atenções ou as ambições de uma pessoa, ou um grupo de pessoas.

Os ventos dos Países Baixos que sopraram em Preobrazhenskoye trouxeram com eles o eco da indústria naval holandesa.
Pedro ansiava pela Holanda, por seus conhecimentos, por seus estaleiros, por sua gente, por seus negócios.
O holandês era “fera” em negócios, vejam que eles organizaram Companhia Holandesa das Índias Ocidentais, a WIC, a empresa que o Príncipe-conde Mauricio de Nassau (João Maurício de Nassau-Siegen), cognominado "o Brasileiro", representou em Recife- PE, em 2 de junho de 1621, portanto 76 anos antes da visita de Pedro.
Alias, Pedro teve permissão para trabalhar com simples operário nos estaleiros da WIC, onde aprendeu muito.
Eles tinham um grande interesse pelo mercado russo, um mercado com grande potencial.
Sem parar em Amsterdam, Pedro foi para Zaandam, uma cidade na província da Holanda do Norte, localizada no Zaan, um pequeno rio, perto do Canal do Mar do Norte.
Zaandam era famosa por muitos estaleiros e oficinas de construção naval, se empregando no estaleiro local e para onde voltaria um número de vezes, a última em 1717.
Claude Monet morou nessa cidade e fez 25 pinturas da área inclusive essa:


Casa onde Pedro se hospedou e que virou museu, a Het Tsaar Peterhuisje.

Trabalhou na construção da fragata “Pedro e Paulo” que em 16 de novembro de 1697 foi lançada com sucesso.
Visitou fabricas, moinhos de vento, oficinas de todos os tipos, hospitais, asilos, fábrica de papel, etc...
Aprendeu a técnica da gravura e ainda fez a sua própria gravação, que ele chamou de "o triunfo do cristianismo sobre o Islã".
Participou de aulas de anatomia, maneiras de embalsamar cadáveres, de dessecação de cadáveres, tendo realizado autopsias, o que gerou a criação do primeiro museu russo, o
Кунстка́мера кабинет редкостей, в настоящее время Музей антропологии и этнографии имени Петра Великого Российской академии наук (МАЭ РАН), tradução livre: Kunstkammer - gabinete de curiosidades, agora - Museu de Antropologia e Etnografia em homenagem a Pedro, o Grande, Rússia Academia de Ciência.
Quatro meses e meio, Peter passou na Holanda, mas não ficou satisfeito com os “mestres” holandeses manifestando isso em seu prefácio para o seu “Regulamentos Marinhos”, Морскому регламенту.
Porem “contratou especialistas estrangeiros para as necessidades do exército e da marinha, num total, cerca de 700” e comprou o que havia de mais moderno em armamento.

Na Inglaterra

De 1698
Sir Godfrey Kneller, 1º Baronet, foi o principal pintor de retratos da Inglaterra no final do século 17 e início do século XVIII
Este retrato foi o presente de Pedro ao rei da Inglaterra, William III.
The Royal Collection

A convite pessoal do Soberano da Inglaterra e Irlanda, Guilherme ou William III, que também era o governante (estatuder) da Holanda, Zelândia, Utrecht, Gueldres e Overissel da República dos Países Baixos de Holanda, Pedro, no início de 1698, visitou a Inglaterra
Permaneceu por cerca de três meses, primeiro em Londres e, em seguida, em Deptford, na margem sul do rio Tâmisa, onde estavam os estaleiros reais, sob a liderança Sir Anthony Dean, construtor naval último quartel do século XVII e um membro do Parlamento britânico, onde aprendeu novas técnicas.
Viajou pela Inglaterra, visitando a Frota Naval Inglesa, o Observatório de Greenwich, a Casa da Moeda, a British Royal Society, da Universidade de Oxford, o Parlamento, as lideranças da Igreja anglicana, tudo vê e tudo quer aprender.
Interessasse muito pelo aparelho para monitorar o vento que considera vital para sua Frota.
Finda a vista retorna para a Holanda.
Na Holanda tem um desapor, pois “os holandeses não concordaram em acompanhar a Rússia no conflito com o Império Otomano”.


Viena, capital do Sacro Império Romano Germânico.

No caminho por Leipzig, Dresden, Praga, e outras cidades, veio a notícia da intenção da Áustria e Veneza concluírem com o Império Otomano um tratado de paz.
Pedro como participante da “Santa Liga dos Balcãs” - fundada pelo Papa Inocente XI em 1684 - desde 1686, não gostou de ser consultado.
Mas, continua a viagem.
Pedro inicia negociações com Leopoldo I, Imperador Sacro desde 18 de julho de 1658, sendo coroado em 18 de julho de 1658, até 5 de maio de 1705, mas não logrou êxito.
Leopoldo I, não concordou com a transferência de Kerch, uma cidade no leste da Crimeia na costa do Estreito de Kerch, para domínio russo, e também, livre acesso ao Mar Negro.
A única concessão imperial foi que Pedro conservasse os territórios já conquistados.
Pedro engoliu em seco, ainda não estava preparado.
14 de julho de 1698 teve uma reunião de despedida com Leopoldo I.
Em Viena ficou Prokofy Bogdanovich Voznitsyn que no Congresso Internacional de Karlovytsky de 26 de janeiro de 1699, em Karlovitsy, agora Sremski Karlovci, Vojvodina, Sérvia, que havia sido convocado para concluir um tratado de paz entre os estados europeus – Sacro Império, Veneza, Rússia e Comunidade polonesa-lituana -que faziam parte da chamada " Santa Liga dos Balcãs “, e o Império Otomano, consegui uma trégua de dois anos com o Sultão de Constantinopla.

Rumo a Veneza

A embaixada era para ir para Veneza, para ver o Papa, mas de Moscou, veio a notícia de uma rebelião dos Streletskii, com Sophia novamente em atuação, os rebeldes (2.200 pessoas) queriam entroniza-la, e a viagem foi cancelada.
A revolta dos os Streletskii, ou Streltsy, Стрелецкое восстание, foi um movimento reacionário contra inovações progressivas de Pedro, o Grande, e um motim contra os rigores do serviço militar, e como sempre explorado por aqueles que eram contra a servidão, a situação dos servos da gleba.
Servidão é o status legal e econômico dos camponeses ("servos") no âmbito do sistema econômico da "senhoria" (direitos feudais sobre a terra).
Os servos são trabalhadores rurais que estão vinculados à terra, formando a classe social mais baixa da sociedade feudal. Se a terra, gleba, fosse vendida os servos iam junto, mas eles não eram propriedade de ninguém e não podiam ser vendidos, pois não eram como escravos, que eram propriedade dos donos.
Os Streltsy de Moscou haviam servido nas campanhas de Azov e passaram a ser a guarnição da fortaleza, o que gerou certa insatisfação e em vez de retornarem a Moscou, foram enviados para a cidade de Velikié Louki, Великие Луки, ao sudeste de Pskov e 445 km ao oeste de Moscou.
A caminha foi longa e difícil sem cavalos para carregar as cargas, os homens as levavam nos ombros, passaram fome, pois os suprimentos não chegavam, enfim, foi um inferno na Rússia.
Muitos desertaram.
175 Streltsy foram para Moscou para apresentar uma queixa, e fazem secretamente contato com Sophia, encarcerada no Mosteiro Novodevichy, na esperança de que ela seria a grande mediadora junto ao Czar.
As tentativas falharam e eles voltaram, o que provocou descontentamento generalizado.
Em 6 de junho de 1698, se amotinam e cerca de 4.000 homens marcham sobre Moscou tendo como finalidade primeira instalar Sophia, ou seu ex-amante e ministro no exílio Vasily Golitsyn, no Trono, segunda eliminar os Boiardos, a terceira passar a fio de espada os estrangeiros, que consideram responsáveis ​​por parte de todos os seus infortúnios.
Mais, foram mobilizados visando o ataque surpresa quatro regimentos (Preobrazenski, Semenovtsi, Lefortov e Gordonov) e uma unidade de cavalaria comandados por Aleksei Shein e pelo General Gordon.


“Manhã da execução de Streltsy” de 1881
De Vasily Ivanovich Surikov
pintor russo, mestre de telas históricas de grande escala.

Em 18 de junho, os Streltsy foram derrotados a 56 quilômetros ao a oeste de Moscou.
Justiça foi feita e resultou na execução de 57 Streltsy e outros foram exilados.
No caminho para Moscou, o czar soube da supressão da rebelião severa.
Em 31 de julho de 1698 Pedro teve um encontro com Augusto II, o Forte, Rei da Polônia e Grão-Duque da Lituânia.
Da mesma idade, dotados a mesma franqueza, foi para os dois homens fácil estabeleceram uma amizade pessoal.
No final de três (3) dias uma aliança foi estabelecida contra a Suécia, e um tratado secreto foi concluído em 1 de novembro de 1699.
Com a chegada de Pedro em 25 de agosto de 1698 foi instaurado um inquérito sobre o motim.
“Entre setembro de 1698 e fevereiro de 1699, mais 1.182 Streltsy foram executados, 601 foram submetidos ao chicote e muitos marcados com ferro quente, outros exilados ou deportados, pois os sobreviventes e suas famílias foram forçadas a deixar Moscou.
A investigação e as execuções duraram até 1707.
Os regimentos de Moscou, que não haviam participado da rebelião, foram dissolvidos.
A sempre rebelde Czarina Eudóxia ou Evdokia Lopukhina, que também nessa se envolveu, foi enviada presa para um mosteiro em Suzdal, mesmo contra a vontade do clero.
Pedro não queria confusão no seu redil.
E assim acabou a Grande Embaixada, mas seus frutos foram muitos para o bem do Povo Russo.



“Um moinho de vento em Zaandam”
De Monet
pintado em 1871
Domínio publico






Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Reformas Petrinas ou de Pedro, o Grande - Parte 1.- capitulo 12

Antevendo uma Nação - 7 capitulo